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Mostrando postagens de novembro, 2015

O Pastor Triste — William Butler Yeats (Poema)

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O Pastor Triste William Butler Yeats Houve um homem a quem a Pena fez seu amigo e ele, sonhando com a sua importante amiga foi com passos lentos pelas areias fugidias e rumorosas, onde acodem as onda encrespadas sob o vento: e clamou às estrelas, que desçam de seus pálidos tronos a alivia-lo porém elas riram e cantaram. E então o homem de quem a Pena se fez amigo gritou: Mar lúgubre, ouve a minha lastimável história! O mar seguiu seu curso e deu seu antigo grito silencioso, rodando entre colinas sonolento. Ele deixou de perseguir a glória deste, e detendo-se em um ameno vale remoto gritou a sua história para as rutilantes folhas de orvalho. Mas nada ouviram, pois ela ouvem somente o som de seu próprio gotejar. E logo o homem a quem a Pena se fez amigo buscou outra vez a praia, e falou para uma concha, e pensou, cantarei minha penada história até que, fazendo eco, minhas palavras enviem sua tristeza através de um coração oco e perolado e cante pa...

Sobre estar doente — Virginia Woolf (fragmento)

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Sobre estar doente Considerando quão comum é a doença, quão tremenda a transformação espiritual que ela produz, quão assombrosos, quando as luzes da saúde baixam, os países ignotos que são então expostos, que ermos e desertos da alma um ligeiro ataque de gripe põe à vista, que precipícios e gramados salpicados de flores brilhantes uma pequena elevação da temperatura revela, que antigos e empedernidos carvalhos são desarraigados em nós pelo ato da enfermidade, como descemos ao poço da morte e sentimos as águas da aniquilação pouco acima de nossas cabeças e despertamos pensando nos encontrar na presença dos anjos e dos harpistas quando temos um dente extraído e chegamos à superfície na cadeira do dentista e confundimos seu “Enxágue a boca... Enxágue a boca” com a saudação de Deus curvando-se do piso do Céu para nos dar as boas-vindas – quando pensamos nisso, como somos tão frequentemente forçados a fazer, torna-se realmente estranho que a doença não tenha tomado o seu lugar ao...

O Menino Inerme — Bertolt Brecht (miniconto)

O Menino Inerme Bertolt Brecht "O senhor K., falando do péssimo hábito de deixar passar em silêncio as injustiças, contou esta pequena história. Um transeunte quis saber de um rapazinho em lágrimas a razão de suas penas. — Eu tinha nas mãos dois marcos para pagar uma entrada de cinema — disse o menino —, quando chegou um garoto mais forte do que eu e me arrancou um deles das mãos. E apontou um jovem, que ainda podia ser visto a uma certa distância. — E você não pediu socorro? — perguntou o passante. — Claro — respondeu o menino, soluçando ainda mais forte. — E ninguém o ouviu? — indagou ainda o estranho, acariciando-o amavelmente. — Não... — soluçou o garoto. — Quer dizer que você não tem capacidade vocal, que o habilite a gritar com mais força? — interrogou o homem. — Nesse caso, passe já pra cá esse outro marco! Tomando-o, meteu-o no bolso e continuou tranquilamente o seu caminho." -