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Mostrando postagens com o rótulo Contos

Clube do Haxixe — O Cachimbo de Ópio – Théophile Gautier

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O CACHIMBO DE ÓPIO Por Théophile Gautier Outro dia, encontrei meu amigo Alphonse Karr sentado em seu sofá, com uma vela acesa, embora fosse plena luz do dia, e em sua mão, um tubo de madeira de cerejeira com um cogumelo de porcelana no qual ele despejava uma espécie de pasta escura semelhante à cera de lacre; a pasta queimava e crepitava na chaminé do cogumelo, e ele inalava por meio de um pequeno bocal amarelo-âmbar a fumaça que se espalhava instantaneamente pelo cômodo com um vago cheiro de perfume oriental. Sem dizer uma palavra, peguei o dispositivo das mãos do meu amigo e levei meus lábios a uma das extremidades; após algumas tragadas, senti uma espécie de tontura agradável, bastante semelhante às sensações da embriaguez pela primeira vez. Como eu não estava com vontade naquele dia e não tinha tempo para me embriagar, pendurei o cachimbo num prego e descemos ao jardim para ver as dálias e brincar um pouco com o Schutz, aquele animal feliz cuja única função é ser preto num tape...

Clube do Haxixe — O Fim de Fausto por Claude Farrère

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O Fim de Fausto Por Claude Farrère "Existem outros tipos de mulheres oníricas, chamadas Fadas, ou em  latim Strigæ, que se alimentam da papoula negra, o deus do ópio..." Jean de Marcouville. Em seu laboratório, o doutor Fausto continua se entregando aos estudos. Bons anos correram depois que ele assinou aquele pacto, quando, por sua alma, Satã lhe pagou treze séculos de juventude. O doutor Fausto não é mais, portanto, o velho calvo e desalinhado que procurou um dia, neste mesmo quarto, ao fundo das retortas enegrecidas, a pedra filosofal. Satã cumpriu sua palavra, Johann Fausto continua com vinte anos, o seu gibão brilha e orna maravilhosamente com sua barba de ouro claro. Na verdade, desde que ele saciou Marguerite e a entregou a Satã, muitas outras mulheres mergulharam seus dedos nessa barba rejuvenescida e chamuscaram suas almas no fogo meigo desses olhos restaurados pelo diabo. E a lista ainda não está completa. Entretanto, em seu laboratório, o doutor Fausto continua se ...

Contos Únicos — Homem ao Mar – Winston Churchill

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HOMEM AO MAR Por Winston Churchill Pouco depois das 9h30, o homem caiu ao mar. O navio de correio navegava em alta velocidade pelo Mar Vermelho, na esperança de recuperar o tempo perdido devido às correntes do Oceano Índico. A noite estava clara, embora a lua estivesse escondida pelas nuvens. O ar quente estava carregado de umidade. A superfície calma da água era interrompida apenas pelo movimento do grande navio, de cuja proa altas ondas inclinadas se projetavam como penas de uma flecha, e em cujo rastro as bolhas de espuma e ar levantadas pela hélice deixavam um rastro que se estreitava em direção à escuridão do horizonte. Havia um concerto a bordo. Todos os passageiros estavam felizes por quebrar a monotonia da viagem e se reuniram em volta do piano no salão ao fundo da escotilha. Os convéses estavam desertos. O homem ouvira a música e cantaria junto, mas estava quente na cabine, então ele saiu para fumar um cigarro e aproveitar o ar fresco trazido pela rápida passagem do navio....

Clube do Haxixe — História do Amante do Haxixe - As Mil e Uma Noites

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História do Amante do Haxixe (…) E depois desse feito, Kanmakan encontrou uma senhora negra muito idosa, uma andarilha do deserto, que viajava de tribo em tribo contando histórias e contos à luz das estrelas. Kanmakan, que já ouvira falar dela, implorou que ela parasse e descansasse em sua tenda e lhe contasse algo que o distraísse e alegrasse seu espírito, expandindo seu coração. E a velha andarilha respondeu: "Com muita amizade e respeito!" Então, ela se sentou ao lado dele na esteira e lhe contou esta História do Amante do Haxixe: "Sabe, a coisa mais deliciosa que já agradou meus ouvidos, ó meu jovem senhor!, é esta história que ouvi sobre um haschash entre os haschaschis." "Havia um homem que adorava a carne de virgens..." Nesse ponto da sua narrativa, Sherazade viu a manhã surgir e discretamente silenciou. Mas quando chegou a 142ª noite Ela disse: "Havia um homem que adorava a carne de virgens e não pensava em mais nada. Como essa carne é tão car...

Contos Únicos - O Anúncio por Nugent Barker

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Esta série tem como objetivo oferecer algumas histórias que, embora quase totalmente desconhecidas hoje em dia (mesmo em seus países de origem, até mesmo para os fãs mais fervorosos do gênero), poderiam, ainda assim, rivalizar com muitas das obras mais célebres da literatura de fantasmas, terror ou fantasia. Seu único obstáculo para alcançar esse objetivo talvez tenha sido o fato de serem as únicas aceitáveis de cada autor. O Anúncio Por Nugent Barker Por volta das três horas da tarde de um dia quente de agosto, um homem alto, com cara de estudioso, saiu de um beco e começou a caminhar sem pressa ao longo dessa importante artéria urbana, no meio do barulho do trânsito. As pessoas esbarravam nele a cada passo, e então ele levantava-se do chão e pedia desculpa com os olhos. Quando se apercebeu de que estava prestes a entrar na Biblioteca Pública, um sorriso amargo espalhou-se pelo seu rosto, e ficou parado por um momento, olhando para as duas manchas solares espelhadas nos seus sapat...

O Clone de Si Mesmo e outros contos breves — Herman Augusto Schmitz #Contos #Ficção científica

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  https://www.amazon.com.br/dp/B09HWCG4PP Conheça o meu novo livro de contos curtos de Ficção científica, disponível na Amazon. Alterações climáticas, Clonagem, Invasões alienígenas, Máquinas insólitas e Realidade artificial São esses os principais ingredientes dessa antologia de ficção científica satírica e debochada, que através de pequenas histórias, quase fábulas, apresenta os grandes temas do gênero sob uma escala legitimamente brasileira, onde a cor local ilumina e acentua os contrastes sociais e ideológicos.. "Neste livro o gênero ficção científica nunca é gratuito: tem razão de ser, tem um propósito, está na estrutura que vai construindo os significados e as várias possibilidades de interpretação. Não apela para o exótico, o “espetaculoso” só para chamar atenção. Ao contrário, utiliza os elementos fantasiosos na justa medida para alcançar aquilo que pretende dizer. Sem dúvida este é mais um dos méritos das histórias que compõem este volume. Herman Augusto Schmitz é um expo...

A Berinjela - Eduardo Galeano #Miniconto

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A Berinjela - Eduardo Galeano Instruções para triunfar na profissão Há mil anos, disse o sultão da Pérsia: — Que maravilha. Ele nunca havia provado uma berinjela, e agora comia uma cortada em rodelas temperadas com gengibre e ervas do Nilo. Então o poeta da Corte exaltou a berinjela, que dá prazer à boca e no leito faz milagres, porque para as proezas do amor é mais poderosa que o pó de dente de tigre ou o chifre ralado de rinoceronte. Algumas rodelas depois, o sultão disse: — Que porcaria. E então o poeta da Corte amaldiçoou a berinjela enganosa, que castiga a digestão, enche a cabeça de pensamentos maus e empurra os homens virtuosos ao abismo do delírio e da loucura. — Você acaba de levar a berinjela ao Paraíso, e agora a está jogando no inferno - comentou um insidioso. E o poeta, que era um profeta dos meios de comunicação de massa, pôs as coisas em seu devido lugar: — Eu sou um cortesão do sultão. Não sou cortesão da berinjela. ***...

As Formigas e a Cigarra - Fábula de Ambrose Bierce

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Desenho de Batarda Fernandes AS FORMIGAS E A CIGARRA Estavam uns tantos Membros duma Assembleia Legislativa a inventariar, no fim de uma sessão, as respectivas fortunas, quando lhes apareceu um Honesto Mineiro a pedir que partilhassem com ele. — Porque é que o senhor não adquiriu os bens que, por direito, lhe pertencem? — Perguntaram-lhe os Membros da Assembleia Legislativa. — Porque — respondeu o Honesto Mineiro — estava tão ocupado a extrair ouro que não tive tempo para juntar coisa que se visse. Os Membros da Assembleia Legislativa puseram-se a rir dele, dizendo: — Se o senhor perde tempo com tão fúteis distrações, não esteja agora à espera de ter parte na remuneração por um trabalho assíduo. *** Ambrose Bierce, Fábulas Fantásticas, 1899.

A Porta Aberta - Conto de SAKI

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A PORTA ABERTA SAKI — Minha tia já vai descer, sr. Nuttel — disse uma jovem dama de 15 anos, muito segura de si. — Enquanto isso, o senhor terá de me aturar. Framton Nuttel procurava dizer algo apropriado que lisonjeasse devidamente a sobrinha no momento, sem indevidamente menosprezar a tia de logo mais. De si para si, duvidava, mais do que nunca, que visitas de cortesia, como essa, a uma série de pessoas estranhas, beneficiassem muito o tratamento de nervos a que pretendiam submetê-lo. — Já sei como vai ser a coisa — dissera-lhe a irmã quando ele preparava sua retirada para aquele recanto de província. — Você vai se enterrar ali sem falar a vivalma e vai se aborrecer tanto que os seus nervos ficarão piores do que nunca. Por precaução, dou-lhe umas cartas de recomendação para todas as pessoas do lugar que são minhas conhecidas. Algumas delas, ao que me lembro, são bem agradáveis. Framton perguntava a si mesmo, agora, se a sra. Sappleton, a quem vinha apresentar uma daquel...

Lucrécio, Poeta - conto de Marcel Schwob

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Marcel Schwob LUCRÉCIO, POETA Lucrécio veio ao mundo numa grande família que se retirara da vida social. Seus primeiros dias receberam a sombra do negro pórtico de uma casa alta erguida na montanha. O átrio era severo; os escravos, mudos. Desde cedo o adolescente se viu cercado pelo desprezo da política e dos homens. O nobre Mêmio, que tinha a mesma idade, participou, na floresta, dos jogos que Lucrécio lhe impusera. Juntos, os dois admiraram as rugas das velhas árvores, e espiaram o tremor das folhas ao sol, como um víride véu de luz juncado de manchas de ouro. Muitas vezes contemplaram as costas listradas dos porcos selvagens que fossavam o solo. Atravessaram cachos frementes de abelhas e bandos de formigas em marcha. E certo dia, ao saírem de uma mata de corte, chegaram a uma clareira rodeada de antigos sobros, assentados tão estreitamente que o círculo deles escavava no céu um poço de azul. A paz desse asilo era infinita. Dir-se-ia uma longa estrada clara que ia para o a...