Postagens

Mostrando postagens com o rótulo resenhas

Jane Austen sem as partes chatas #Resenha

Imagem
JANE AUSTEN (1775–1817) A prosa de Jane Austen tem o decoro ideal do século XVIII. É convencional demais para o lirismo, mas eleva a inteligência a ponto de transformá-la em beleza. A prosa perfeita que Gibbon usou para o declínio e queda do Império Romano é usada por Austen para o declínio e queda da vaidade de uma garota provinciana. Seu humor nos passa a impressão de ser um subproduto de sua limpidez – as piadas são tão bem integradas no padrão perfeito que só reparamos que Austen as fez depois que já estamos rindo. Ela faz o uso mais elegante possível do humor inexpressivo. O principal a se saber sobre os romances de Jane Austen é que eles são literatura escapista. Você não precisa ser esperto para gostar de Jane Austen, nem ser muito atento, nem se preparar para fazer um exercício mental. Tudo de que você precisa são olhos. Se você deixar o livro no chão, quando voltar para casa o gato estará lendo. O público entendeu isso há muito tempo, e a moderna “indústria Austen” est...

Sátiro, o el poder de las palabras. Vicente Huidobro #Resenha

Imagem
Sátiro, o el poder de las palabras. Vicente Huidobro Sátiro o El poder de las palabras, publicada por primera vez en 1939 y luego de 73 años puesta entre los lectores de la obra huidobriana con esta segunda edición, se trata de un texto narrativo con un lenguaje vivo signado por la experiencialidad de la palabra, en donde cada pagina refleja el poder creativo del autor. No sólo en poesía se expresa el creacionismo de Huidobro, también nos deleita aquí en esta novela poética que ubica a la palabra y sus posibilidades de semantización como centro de las reflexiones de su protagonista, Bernardo Saguen. Como siempre el poder creativo de Huidobro nos atrapa para deslizarnos luego en ese tejido de palabras únicas enunciadas por la voz de un poeta dedicado a revolucionar todo cuanto se escribe.

Intersecções — Cleber Pacheco (resenha)

Imagem
* Intersecções de Cleber Pacheco Resenha por Herman Schmitz Li este livro em apenas uma tarde, mesmo tentando me controlar para ler bem devagar, foi impossível. Depois disso ainda continuo folheando aqui e ali, pois sempre há algo para a captar-se.  O livro é um devir que compactua com o tempo e a vida. É como um sopro da própria vida que se sente respirar de dentro do livro. Cleber Pacheco consegue de forma magistral um equilíbrio de linguagem entre a poética de imagens sutis e elegantes, e do outro lado, a prosa que narra o cotidiano simples e despojado de um casal, que em alguns parágrafos chegam a inquietar com as sugestões implícitas nas palavras efetivamente impressas. Um dos temas do livro é o desejo. Os personagens fazem muitas listas, que são desejos sob pontos de vista diferentes. Ambos veem as necessidades de manutenção da casa e da vida, de compras de objetos de uso pessoal, de afazeres em geral, de um modo quase antagônico:  "Poderia comprar um cão ...