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Mostrando postagens com o rótulo Poemas

Clube do Haxixe — Kubla Khan – Samuel Taylor Coleridge

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KUBLA KHAN  Por Samuel Taylor Coleridge   Em Xanadu erigiu Kubla Khan Um domo de prazer decretado Onde o rio sagrado Alph corria Em cavernas que o homem não mediria Em um mar pelo sol não explorado. O solo fértil se estendia Com ameias trançadas ao dia Nos jardins e trilhas sinuosas Florescia uma árvore de incenso Em florestas tão misteriosas Com raras manchas ensolaradas. Mas ah! O profundo abismo romântico Na colina, coberta de madeira cortante Lugar selvagem! Santo, como um cântico  Pois, a lua em prantos é amaldiçoada Por uma dama e seu demoníaco amante E do abismo, inquieto e fervente Como se a terra respirasse inocente Uma fonte surgiu, no momento forçada E vindo de seu jato interrompido Fragmentos caíram como granizo Ou grãos que somem sem aviso E dentre as rochas em sua dança Correu acima o rio sem temperança Seguindo seu caminho sinuosamente E dentre a madeira o rio corria Até as cavernas que o homem não mediria E afundou em tumulto num mar sem vida E nesse ...

Donizete Galvão — Fachada (poema)

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Carlos Drummond de Andrade - A ilusão do migrante

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A Rosa Mística — Poemas de Cleber Pacheco - Posfácio de Herman Augusto Schmitz (2023)

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25 anos de poesia Antes de tudo quero agradecer ao amigo Cleber Pacheco pelo convite para fazer parte dessa sua bem vinda comemoração de aniversário poético de 25 anos de pratica e de sensibilidade. Um livro nunca está sozinho. São filhos que o autor cria com muito carinho. Sua obra já considerável entre contos e romances, sempre se pontuou com a presença da poesia. Sendo esta, a combinação das muitas faculdades necessárias para se escrever em prosa, acrescida com a musicalidade em seu ritmo próprio, entre o semântico e o fonético, com suas pausas e seus timbres, trazendo ao leitor reflexões do seu eu-lírico. Em seu último livro de poemas "Poemas orgânicos", Cleber faz um mergulho no corpo biológico, nas entranhas da vida e da natureza, e de onde ele renasce rejuvenescido. Em "A Rosa Mística" o poeta perscruta a alma, o sentido do oculto, do alegórico e do hermenêutico. Trazendo ao nível do leitor, reflexões com a autoridade de quem pratica o espiritualismo,...

Os Vizinhos Oniscientes Herman Augusto Schmitz ₢ 2021 - #Videopoema

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A Classificação das Galáxias #Poema

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Ilustração: Oscar Holguin A CLASSIFICAÇÃO DAS GALÁXIAS Porque não chamamos as galáxias de sistemas estelares, que é exatamente o que são? — Isaac Asimov No céu nem tudo o que brilha são  estrelas galáxias são coleções de estrelas e as próprias galáxias  também formam grandes coleções conhecidas como aglomerados E esses formam outra entidade: os grandes superaglomerados com suas estruturas de galáxias em forma de teia de dezenas de milhões até centenas de milhões de anos-luz  Abell 2218, Zwicky 3146, Andrômeda as anãs de Baleia, Pégaso, Fornalha e Fênix Em cada centro, uma incandescência interstelar ou mais possivelmente um buraco negro Por sua rotação e seus movimentos lentos estendem-se com braços em imensos cata-vazios Galáxias são corpos de estupendos encaixes todos obedecendo a lei imutável da gravidade que faz delas belas espirais ou densas elípticas formadas por poeira microscópica em pedaços irregulares esfarelados no espaço ro...

Os Infos - #Poema

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Ilustração: Oscar Holguin OS INFOS Se no fundo do corpo material somente encontramos faíscas elétricas reagindo entre ácidos e bases é no corpo imaterial que devemos procurar a origem das nossas informações Pode ser que neste lugar onde vivem os pensamentos onde está o que se chama inteligência possamos encontrar o infinitivo abstrato o produto final das redundâncias da comunicação humana Neste lugar um dado qualquer se une a uma outra ideia e a união desses dois infos forma uma outra coisa também medida em infos Neste lugar a imaginação pode ser resumida a infos com sentido encontrados ao acaso num universo de possibilidades randômicas Neste lugar os infos transitam sem tempo nem espaço declinados de hora ou lugar e sem outros valores como de peso, por quilo ou por metro Neste lugar não há info disso ou info daquilo é info mesmo Mas esses infos todos quando se transportam em gente podem sumir de repen...

O Nada Também Consta. Poema de Herman Schmitz. Ilust. Oscar Holguin

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Ilustração: Oscar Holguin O NADA TAMBÉM CONSTA Herman Schmitz Um homem perde um lápis dentro de casa Procura em gavetas, em cima das mesas Vazia os bolsos no cesto de roupas sujas Procura e procura e não acha Porque razão há de se preocupar Afinal é só um lápis, e ainda bem usado Nada mais fácil em substituir por um novo Mas se por acaso perdeste tudo na vida As tuas coisas, o teu rumo, o teu conhecimento Perdeste até mesmo o teu reflexo na janela E hoje tem que viver com essa falta, essa ausência Com o nada absoluto do vazio total dentro de si Então... Dê alguns passos para trás e contemple: Fraquinho e demasiado pequeno para andar A criatura rasteja nesse espaço pequeno Desprende um odor adocicado de canela E tem um tubo de carvão por dentro O velho lápis escondeu-se depois que um risco seu marcou uma folha branca O escritor não me achará, — pensa aflito, escorregando porta afora, se preservando do escrito!

A Folha em Branco. Herman Schmitz #Poema #Escritor

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A FOLHA EM BRANCO  Ilustração Oscar Holguin Eis a folha em branco! A folha lívida que te desafia Um véu sedoso a encobrir o não dito Uma ausência do além se estendendo sobre epigramas que ainda nem existem Folha! Folha em branco! sedenta de tinta   de tipos de letras e expressões de formas e abstrações Cada palavra é uma opção Um risco de liberdade Predisposto a se revelar mesmo no sentido mais oculto ou inusitado Eis a folha em branco! Assim as letras caem sobre o papel no abismo gráfico no redemoinho no vórtice feroz das composições das encadernações, dos teletipos Mas o branco absoluto Por sua natureza imparcial Suporta tudo todas as ideologias todas as ondas todas as nuances todas as filosofias E todas as tintas insofismáveis E nessa geografia branca e negra O pior medo A mais terrível blasfêmia O signo cabalístico da infâmia TOTAL — Soletra-se:          ...

Nouveau Roman. Herman Schmitz (poema) Oscar Holguin (ilustração)

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Ilustração de Oscar Holguin Nouveau Roman Meu quark laranja, sua postagem aquela noite foi fundamental para o entendimento da solidão universal da raça humana. Você é um santo? Você é um gênio? Quem sou eu para saber, mas foi tão forte esse toque, foi tão sutil nas colocações, os links certos, os argumentos de mão cheia, até a música vibrava na medula da hora, com o subtexto aliciado ao contexto. Anéis de Saturno encantam a lua. Por Odim!!! Foi como estar no Valhala, junto com Allan Ginsberg uivando suavemente no meu ouvido aquela coisa toda sobre a América, mas que América que nada, era muito mais, era um planeta inteiro se remexendo em suas entranhas, desde as fossas abissais do pacífico, aos vulcões do Kilauea. Enquanto isso tudo circulava em 64 bits de emoção, ela, qual uma estrela solitária, dormia nos tempos do foguete e do navio antigravitacional. Herman Schmitz ₢2019

Quando a estrutura falha, a rima tenta vir em socorro - W. C. Williams

Quando a estrutura falha, a rima tenta vir em socorro O cavalo velho morre devagar. Gradativamente o fervor de suas veias compara-se ao estiramento das folhas, dia a dia. Mas o passo que sua mente mantém, é o passo dos seus sonhos. Ele faz o que pode, com inabalável fleugma, olá! mas o passo que sua carne mantém — inclinada, inclinada sobre barras — mendiga praticamente todo o passo e todos os refúgios de seus sonhos. William Carlos Williams (Tradução: Jorge Wanderley)

Quanto? — Poema de Carl Sandburg

QUANTO? — Quanto me amas? Um milhão de alqueires? — Oh, muito mais que isso, oh, muito mais. — E amanhã? Talvez meio alqueire? — Amanhã talvez nem isso. É esta, então, a aritmética do teu coração? — Não; é o modo como o vento mede o tempo. Carl Sandburg

Belchior Implodiu - poema de Herman Schmitz

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BELCHIOR IMPLODIU Belchior era apenas um rapaz Latino Americano que subiu nos palcos, ganhou muito  mas deixou os shows por medo de avião Se entregou ao belo prazer de viver Aventuras muitas, dívidas maiores De pronto, sua voz não soava tão bem Uma paixão pela pintura compensava e a loucura elucubrativa e filosófica lhe trouxe mecenas e financiadores Adeus lucro fácil dublando a si mesmo porque não ser o poeta de tempo integral? Desceu os degraus ilusórios da fama com o seu ego em busca de um fim natural e deste modo raro, conseguiu ser a pessoa que, renunciando em ser, mais além foi ! 2017@HermanSchmitz

Curriculum — Mario Benedetti (Poema)

A toada é bem simples você nasce contempla atribulado o azul avermelhado do céu o pássaro que emigra o besouro tonto que o teu sapato amassará valente você sofre reclama por comida e por costume e por obrigação chora limpo de culpas extenuado até que o sonho te desqualifique você ama se transfigura e ama por uma eternidade tão provisória que até o orgulho se torna terno e o coração profético se converte em escombros você aprende e usa o aprendizado para tornar-se lentamente sábio para saber que o mundo no fim é isso em seu melhor momento uma nostalgia em seu pior momento um desamparo e sempre sempre um rolo, então você morre. *** Traduzido por Herman Schmitz Da Antologia Poetica, 1986.

Capivaras — Manoel de Barros

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Capivaras por Manoel de Barros Tudo o que se há de dizer aqui sobre capivaras, nem as mentiras podem ser comprovadas. Se esfregam nas árvores de tarde antes do amor. Se amam sem ocupar beijos. Excitadas se femeiam por baixo dos balseiros. E ali se aleluiam. O cisco da raízes aquáticas e a bosta dos passarinhos se acumulam no lombo das capivaras. Dali se desprende ao meio dia forte calor de ordumes larvais . No lombo se criam mosquitos monarcas, daqueles de exposição, que furam até vidros e abaixam pratos de balança. É vezo de dizer-se então que capivara é um bicho insetoso. Porquanto favorecem a estima dos pássaros, sobretudo dos bentevis que lhes almoçam larvas ao lombo. Coisa que todo mundo gosta, tirante as capivaras, é de flor. Pelo que já não entendo, existem razões particulares ou individuais que expliquem tal desgosto das capivaras por flor? Todas guardam água no olho. in Manoel de Barros, O Livro das Ingnorãças, 1993.

O Destino Selado, poema de Herman Schmitz

O Destino Selado de Herman Schmitz E por detrás da fechadura do tempo Eu me vi Foi numa noite escura e tenebrosa em meio à solidão de uma mesa de escrever com dezenas de pequenas anotações repassando à minha frente a luz mortiça de um abajur. Quando — de súbito Surge uma sombra negra que se desloca em minha direção me envolvendo E essa sombra agarra esse papeizinhos e eles são agora como que poeira em minha mente que se desdobram ao vento Minha última recordação… E que será tudo isso na tua mente! na tua mente na mente —  PRESENTE!  —  PRESENTE?  —  PRESENTE. — (c)2007 de Herman Schmitz

O Grande Duelo, poema de Herman Schmitz

O Grande Duelo O Grande Duelo Por Herman Schmitz   Meu Deus, Dai-me a força e a coragem De contemplar meu corpo e minha alma Sem desgosto. Charles Baudelaire   Para ser um Homem, um homem completo O momento preciso não basta Há que ser relâmpago Ter a rapidez do cirurgião E o domínio exercitado de si mesmo   zumbe , entra, sai Sobe e desce voando criatura de si mesmo   repentinamente : degraus desconhecidos despenham -se adiante transportando pavor e incredulidade   — Adiante! Adiante!   Correr eternamente A saltar obstáculos e obstruções — Maratona da vida   Sorver de um só fôlego todo o ar e transpirar sempre Sempre mais além, Somente um pouco mais…   E nunca se chegará ao fim Homem-Universo: Quanto mais do fim se avança Tanto mais é a distancia É tudo relativo Relativo a quem vê   Quando o universo se expande Há segurança e vitalidade ...

O Gato Velho — Poema e desenho de Patricia Highsmith

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Desenho da autora. O GATO VELHO Nada foi feito para mim, Não, nem mesmo a lareira, Pois algumas vezes sinto frio e não há fogo, E outras vezes, não me deixam ir até ali. Sombras me entediam, e se acaso são um mistério É bem sem graça. Meus ta-tataranetos Brincam insensatos ao meu redor, mas eu agora já sei Que os forros das coisas são apenas forros, E que atrás da porta entreaberta Há outra sala como esta aqui. Gosto de sentar com meus olhos semicerrados, Porque já vi de tudo E minhas memórias são bem mais interessantes. Estou em paz com tudo. Até os camundongos podem vir a poucos centímetros, Sabendo que aposentei nossa antiga guerra. Apenas meus ta-tataranetos Me irritam às vezes, puxando meu rabo, Esbarrando e escorregando por cima de mim. Dou-lhes uns bons tapas nas orelhas, E volto para onde deixei meus pensamentos. Estou em paz com tudo. Patricia Highsmith

Para fazer um poema dadaísta — Tristan Tzara

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Para fazer um poema dadaísta Pegue num jornal. Pegue numa tesoura. Escolha no jornal um artigo que tenha o tamanho que pensa dar ao seu poema. Recorte o artigo. Recorte seguidamente com cuidado as palavras que formam o artigo e meta-as num saco. Agite com cuidado. Seguidamente, retire os recortes um por um. Copie conscienciosamente segundo a ordem pela qual foram saindo do saco. O poema parecer-se-á consigo. E você tornou-se um escritor infinitamente original e duma sensibilidade encantadora, ainda que incompreendida pelo vulgo. Tristan Tzara

O Assassino era o Escriba — Paulo Leminski

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Leminski, foto Dulce Helfer. O ASSASSINO ERA O ESCRIBA Paulo Leminski Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da 1ª conjugação. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto. Casou com uma regência. Foi infeliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva. Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido em sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo. Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça. ________ Do livro Caprichos & Relaxos Coleção Cantadas Literárias. Ed. Brasiliense.