O Amor e a Loucura — La Fontaine
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.

A expressão Nouveau roman (Pronúncia francesa: [nuvo ʁɔmɑ̃], novo romance) refere-se a um movimento literário francês dos anos 1950 que diverge dos gêneros literários clássicos. Émile Henriot cunhou o título num artigo do popular jornal francês Le Monde, no dia 22 de maio de 1957,1 para descrever os experimentos estilísticos de alguns escritores, que criavam um estilo essencialmente novo a cada romance.
ResponderExcluirAlain Robbe-Grillet, um influente teórico assim como um representante do nouveau roman, publicou uma série de ensaios sobre a natureza e o futuro do romance que foram posteriormente reunidos na obra Pour un nouveau roman. Rejeitando muitas das características estabelecidas no romance até então, Robbe-Grillet julgou os romancistas predecessores como antiquados em razão do foco que colocavam no enredo, na ação, na narrativa, nas ideias e nos personagens. Em vez disso, ele apresentou uma teoria do romance cujo foco recai sobre os objetos: o nouveau roman ideal seria uma versão e visão individual das coisas, subordinando trama e personagem aos detalhes do mundo ao invés de arrolar o mundo a serviço deles. Assim, de acordo com os autores do nouveau roman, não faria sentido escrever romances à maneira de Balzac, com personagens bem definidos, enredo com começo, meio e fim. Eles estariam, em vez disso, mais próximos da literatura introspectiva de Stendhal ou Flaubert. Não admitiam a descrição dos personagens — que segundo eles, seria influenciada por viés ideológico —, mas a exploração dos fluxos de consciência.
A despeito das afirmações de nouveauté (novidade), esta visão do romance pode ser entendida como o desenvolvimento das sugestões e práticas de escritores anteriores. Joris-Karl Huysmans, noventa anos antes, havia sugerido como o romance pode ser despersonalizado; mais recentemente, Franz Kafka mostrou que os métodos convencionais de representação dos personagens não eram essenciais; James Joyce provou o mesmo no que se refere à trama; e autores absurdistas já haviam se envolvido com alguns dos temas que preocuparam os escritores do nouveau roman. A influência de Virginia Woolf, assim como de de Sartre e Camus, também é evidente
O estilo nouveau roman também deixou sua marca no cinema. Escritores, como Marguerite Duras e Alain Robbe-Grillet, envolveram-se com o movimento cinematográfico da Rive Gauche (frequentemente considerado como parte da Nouvelle Vague), e sua colaboração com o diretor Alain Resnais resultou em sucessos de crítica tais como Hiroshima mon amour (1958) e O Último Ano em Marienbad (1961). Mais tarde eles viriam a dirigir seus próprios filmes.
Autores do nouveau roman
Gérard Bessette
Hélène Bessette
Maurice Blanchot
Michel Butor
Julio Cortázar
Marguerite Duras
Claude Ollier
Robert Pinget
Jean Ricardou
Alain Robbe-Grillet
Nathalie Sarraute
Claude Simon
Philippe Sollers
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nouveau_roman