CIÚMES por Sir John Randolph "Shane" Leslie (1885-1971) — Dentro da categoria dos pecados, o ciúme é o pior e mais terrível. Talvez não seja o mais imperdoável, mas é, sem dúvida, o menos indulgente. O ciúme desafia toda definição ou análise. Na loucura há um método, no amor um refinamento, mas o ciúme não sabe como elaborar um plano nem como ceder a tempo. É uma torrente furiosa de suspeitas e interpretações errôneas que nunca espera o momento oportuno nem respeita qualquer canal. É a paixão mais avassaladora conhecida pela humanidade, pois lhe faltam gradações, prelúdio e convalescença. Surge totalmente formada, completa e absoluta, da mente da pessoa ciumenta, e não dá trégua nem a quem a nutre nem, se possível, à sua vítima. Tanto em homens quanto em mulheres, conspira para perpetrar atos tão insanos quanto criminosos, que só podem ser perdoados, e nem sempre, por aqueles que agem cegos pela paixão do amor. O ciúme é a perversão do Amor. É para o Amor o que as maçãs de So...
Enrique Anderson Imbert (Córdoba, 12 de fevereiro de 1910 - Buenos Aires, 6 de dezembro de 2000) foi um escritor, ensaista e professor universitário argentino.
ResponderExcluirNascido em Córdoba, desde os quatro anos de idade viveu em Buenos Aires e, após os oito, viveu em La Plata. Estudou no Colégio Nacional dessa cidade e, após um tempo, na Universidade de Buenos Aires, onde ingressou com 18 anos. Foi aluno de Pedro Henríquez Ureña em filologia e de Alejandro Korn em filosofia.
Em 1930, começou a ensinar na Universidade Nacional de Cuyo e, posteriormente, até 1947, na Universidade Nacional de Tucumán. Ao mesmo tempo, era editor da seção literária do jornal socialista La Vanguardia, de Buenos Aires. Destituído de seu cargo em Tucumán com o advento do governo de Juan Domingo Perón, se mudou para os Estados Unidos, onde trabalhou na Universidade de Columbia. Ainda em 1947, começou a ensinar na Universidade de Michigan, onde permaneceria até 1965. Neste ano, foi designado professor de literatura hispânica da Universidade de Harvard, cargo que manteria até 1980. Foi eleito membro da Academia Argentina de Letras em 1979.
Após deixar suas atividades docentes, Anderson Imbert continuou com sua paixão pela literatura, escrevendo em diversos gêneros literários. Todos os anos, regressava durantes uns meses a Buenos Aires, onde faleceu no final do ano 2000. Em seus últimos dias, finalizou um pequeno conto: a história de um violinista que, a ponto de começar um concerto que definiria sua carreira, descobre que se esqueceu da partitura.
Durante toda sua vida, Anderson Imbert, defendeu sua adesão ao socialismo.
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