O Amor e a Loucura — La Fontaine
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.

Este é um dos poucos "poemas de amor" (há controvérsias…) do grande Baudelaire, o poeta que previu toda essa perda de auréola, de santidade, que é isso tudo que estamos vivendo hoje. Acho absolutamente brutal esse encontro-desencontro, e nisso repousa o seu fascínio.
ResponderExcluirEu bebo até a última gota dessa angustia que sinto ao ler esse poema, porque enquanto eu leio, me flagelo com as lembranças de transeuntes que já me fizeram imaginar uma vida inteira...
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