O Amor e a Loucura — La Fontaine
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.

I.A. Ireland
ResponderExcluirErudito inglês do século XIX (1871-?), publicou A Brief History of Nightmares (1899), entre outros livros. O conto mínimo, ou miniconto, escolhido é do livro Visitations (1919). Pequeno, mas suficientemente wit e metaliterário, a ponto de encantar Borges, que o incluiu na antologia fantástica que organizou com Bioy Casares e Silvina Ocampo. Leia e releia e veja se o mestre não tem razão.
Fonte:
Os Melhores Contos Fantásticos, Flávio Moreira da Costa, 2006