O Amor e a Loucura — La Fontaine
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.

Ernesto Sabato (Rojas, 24 de junho de 1911 – Santos Lugares, 30 de abril de 2011) foi um romancista, ensaísta e artista plástico argentino.
ResponderExcluirSabato foi vencedor do Prêmio Cervantes de Literatura (1984) e um dos maiores autores argentinos do século XX.
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SOBRE HERÓIS E TUMBAS
Ernesto Sabato
Lançado em 1961 e traduzido em vinte idiomas, Sobre heróis e tumbas é um romance magistral em que se cruzam três fios narrativos: a paixão devastadora de Martín por Alejandra, o nascimento traumático de uma nação e a história da Seita Sagrada dos Cegos, casta maléfica de poderes esotéricos e milhões de súditos no mundo todo. Martín tem dezessete anos e pavor das mulheres, até o dia em que conhece Alejandra. Ela é apenas um ano mais velha, porém já nasceu madura, caótica, torturada e tortuosa, louca talvez - como Fernando, que persegue furiosamente a Seita dos Cegos. Um século antes, o general Juan Lavalle, herói da independência argentina, caçou com a mesma fúria o tirano Juan Manuel de Rosas e teve de bater em retirada rumo à Bolívia, para salvar a própria cabeça e os sobreviventes maltrapilhos de sua famosa Legião.
Sabato decompõe o ciúme corrosivo de Martín e as pulsões incestuosas de Fernando, radiografa a demência da ilustre família Olmos e o ódio fratricida dos caudilhos na luta pela emancipação da pátria, interroga as mensagens mais obscuras do inconsciente, os sonhos e pesadelos, os mitos. O cenário é Buenos Aires, metrópole dos cafés literários e dos cortiços de imigrantes, dos bares de La Boca e dos torcedores do Boca, do peronismo ainda triunfante nos anos 50. Dessa viagem, o leitor não volta ileso. Mas terá descoberto que Ernesto Sabato é um escritor apaixonadamente humano e que o reverso de sua visão trágica do mundo é a metafísica da esperança.
Nascido em 1911, Sabato doutorou-se em física e, no final da década de 40, quando se obteve a fissão do átomo de urânio, tornou-se pesquisador do Laboratório Curie, em Paris. Uma visão premonitória e apocalíptica da bomba atômica o fez abandonar a ciência e dedicar-se à literatura.