A Porta Aberta - Conto de SAKI
A PORTA ABERTA SAKI — Minha tia já vai descer, sr. Nuttel — disse uma jovem dama de 15 anos, muito segura de si. — Enquanto isso, o senhor terá de me aturar. Framton Nuttel procurava dizer algo apropriado que lisonjeasse devidamente a sobrinha no momento, sem indevidamente menosprezar a tia de logo mais. De si para si, duvidava, mais do que nunca, que visitas de cortesia, como essa, a uma série de pessoas estranhas, beneficiassem muito o tratamento de nervos a que pretendiam submetê-lo. — Já sei como vai ser a coisa — dissera-lhe a irmã quando ele preparava sua retirada para aquele recanto de província. — Você vai se enterrar ali sem falar a vivalma e vai se aborrecer tanto que os seus nervos ficarão piores do que nunca. Por precaução, dou-lhe umas cartas de recomendação para todas as pessoas do lugar que são minhas conhecidas. Algumas delas, ao que me lembro, são bem agradáveis. Framton perguntava a si mesmo, agora, se a sra. Sappleton, a quem vinha apresentar uma daquel...

Léon Bloy
ResponderExcluirEscritor e pintor francês, Léon Bloy nasceu a 11 de julho de 1846, em Périgueux. Filho de um engenheiro francês e de uma dama espanhola, era o segundo dos sete filhos varões do casal. Enquanto que o pai era austero, a mãe, profundamente religiosa, não pôde atender aos cuidados de todos os seus filhos.
León Bloy foi enviado para um colégio interno, mas logo se revelou um aluno medíocre e insubmisso, revoltando-se contra as doutrinas religiosas que faziam a essência da instituição. Procedeu a estudos por contra própria, dedicando também parte do seu tempo à pintura. Em 1862 terminou o seu famoso autorretrato pintado a óleo.
Abandonando o colégio, chegou a Paris em 1863, alimentando o sonho de se vir a tornar pintor. Não obstante, em 1869 e numa livraria, encontrou Barbey d'Aurevilly, cuja obra já conhecia. Desse encontro nasceu não só a firme decisão de querer ser antes escritor, como a sua reconversão ao cristianismo.
Em 1871 alistou-se como franco-atirador na Guerra Franco-Prussiana, finda a qual tomou um emprego na sua terra natal. Regressando a Paris ao fim de três anos, trabalhou como guarda-livros nos caminhos de ferro, empregado numa livraria e ilustrador de manuscritos.
Em 1876 deu início a uma carreira jornalística, publicando crónicas que causaram mal-estar tanto nos meios católicos, como nos protestantes e ateus e, no ano seguinte, conheceu Anne-Marie Roulé, uma prostituta por quem se apaixonou e que decidiu converter ao cristianismo. Seria internada num manicómio em 1882, não sem ter prenunciado o Dia do Juízo Final.
Em 1884 publicou o seu primeiro livro, um estudo sobre a vida de Cristóvão Colombo intitulado Le Révélateur Du Globe. Dois anos depois surgiu Le Désespéré (1886), romance de carácter autobiográfico em que descrevia a sua ligação amorosa com Anne-Marie Roulé.
Casou em 1890 com Jeanne Molbeck, uma dinamarquesa e, vivendo em grande miséria, publicou Christophe Colomb Devant Les Taureaux (1890), que retomava a temática da sua primeira obra.
Seguiram-se, entre outros volumes, Salut Pour Les Juifs (1892), Histoires Désobligeantes (1894, Histórias Desagradáveis), La Femme Pauvre (1897) e Le Fils De Louis XVI (1899), tida como a sua melhor criação.
Nesse ano de 1899 decidiu mudar-se para a Dinamarca na companhia da família, mas acabou por regressar a Paris em 1900, onde os seus amigos o acudiram face à sua situação desfavorecida.
Com a deflagração da Primeira Grande Guerra em 1914, Léon Bloy recordou os horrores passados na Guerra Franco Prussiana de 1870-71, e o seu imaginário foi invadido por imagens pavorosas do Apocalipse, delirando num fervor religioso exagerado.
Léon Bloy faleceu a 3 de novembro de 1917.
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