O Amor e a Loucura — La Fontaine
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.

Ronald David Laing (Govanhill, Glasgow, 7 de Outubro de 1927 — Saint-Tropez, 23 de agosto de 1989) foi um psiquiatra britânico. Destacou-se por sua abordagem inovadora da doença mental e, particularmente, da experiência da psicose. Promoveu uma revolução de conceitos na sua área, ao buscar compreender a lógica por trás dos sintomas ditos irracionais.
ResponderExcluirAs ideias de Lang sobre as causas e o tratamento da disfunção mental grave, fortemente influenciadas pelo existencialismo, foram de encontro à psiquiatria ortodoxa. Para ele, os sentimentos expressos pelo paciente eram descrições válidas da experiência vivida, mais do que simples sintomas de um distúrbio. Laing foi associado ao movimento da antipsiquiatria, embora ele próprio rejeitasse o rótulo.[1] Politicamente, era considerado como um pensador da New Left.[2]
Na Psiquiatria, uma das suas contribuições teóricas mais importantes é O Eu Dividido (The Divided Self, 1960), no qual expõe a compreensão subjetiva, verdadeiramente psicológica, dos pacientes classificados como Esquizofrênicos. Essa obra contrasta com as teorias de psiquiatras da linha "organicista", como Kraepelin, que consideravam que os transtornos mentais eram meramente expressão de doenças orgânicas do cérebro. Trabalhou no Tavistock Institute of Human Relations, em Londres, entre 1956 e 1964.[3] Seu primeiro livro, The Divided Self: An Existential Study in Sanity and Madness (O Eu dividido) foi completado em Tavistock, em 1957, e publicado em 1960. Nele, Laing usa conceitos fenomenológico-existenciais para a compreensão dos chamados esquizofrênicos.
Em 1965 Laing e um grupo de colegas fundaram a Philadelphia Association, em Londres, e criaram um projeto de comunidade psiquiátrica em Kingsley Hall, onde pacientes e terapêutas viviam juntos.[4]
Um dos psiquiatras que trabalharam com ele, David Cooper, propôs que usassem o termo "antipsiquiatria" para se distinguirem dos psiquiatras tradicionais, mas Laing rejeitou a denominação, argumentando que a etimologia da palavra 'psiquiatria' era "medicina da alma" e isso - uma verdadeira psiquiatria - era o que ele buscava praticar e resgatar .
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ronald_Laing