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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Clube do Haxixe — O Cachimbo de Ópio – Théophile Gautier

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O CACHIMBO DE ÓPIO Por Théophile Gautier Outro dia, encontrei meu amigo Alphonse Karr sentado em seu sofá, com uma vela acesa, embora fosse plena luz do dia, e em sua mão, um tubo de madeira de cerejeira com um cogumelo de porcelana no qual ele despejava uma espécie de pasta escura semelhante à cera de lacre; a pasta queimava e crepitava na chaminé do cogumelo, e ele inalava por meio de um pequeno bocal amarelo-âmbar a fumaça que se espalhava instantaneamente pelo cômodo com um vago cheiro de perfume oriental. Sem dizer uma palavra, peguei o dispositivo das mãos do meu amigo e levei meus lábios a uma das extremidades; após algumas tragadas, senti uma espécie de tontura agradável, bastante semelhante às sensações da embriaguez pela primeira vez. Como eu não estava com vontade naquele dia e não tinha tempo para me embriagar, pendurei o cachimbo num prego e descemos ao jardim para ver as dálias e brincar um pouco com o Schutz, aquele animal feliz cuja única função é ser preto num tape...

Clube do Haxixe — O Fim de Fausto por Claude Farrère

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O Fim de Fausto Por Claude Farrère "Existem outros tipos de mulheres oníricas, chamadas Fadas, ou em  latim Strigæ, que se alimentam da papoula negra, o deus do ópio..." Jean de Marcouville. Em seu laboratório, o doutor Fausto continua se entregando aos estudos. Bons anos correram depois que ele assinou aquele pacto, quando, por sua alma, Satã lhe pagou treze séculos de juventude. O doutor Fausto não é mais, portanto, o velho calvo e desalinhado que procurou um dia, neste mesmo quarto, ao fundo das retortas enegrecidas, a pedra filosofal. Satã cumpriu sua palavra, Johann Fausto continua com vinte anos, o seu gibão brilha e orna maravilhosamente com sua barba de ouro claro. Na verdade, desde que ele saciou Marguerite e a entregou a Satã, muitas outras mulheres mergulharam seus dedos nessa barba rejuvenescida e chamuscaram suas almas no fogo meigo desses olhos restaurados pelo diabo. E a lista ainda não está completa. Entretanto, em seu laboratório, o doutor Fausto continua se ...

Contos Únicos — Homem ao Mar – Winston Churchill

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HOMEM AO MAR Por Winston Churchill Pouco depois das 9h30, o homem caiu ao mar. O navio de correio navegava em alta velocidade pelo Mar Vermelho, na esperança de recuperar o tempo perdido devido às correntes do Oceano Índico. A noite estava clara, embora a lua estivesse escondida pelas nuvens. O ar quente estava carregado de umidade. A superfície calma da água era interrompida apenas pelo movimento do grande navio, de cuja proa altas ondas inclinadas se projetavam como penas de uma flecha, e em cujo rastro as bolhas de espuma e ar levantadas pela hélice deixavam um rastro que se estreitava em direção à escuridão do horizonte. Havia um concerto a bordo. Todos os passageiros estavam felizes por quebrar a monotonia da viagem e se reuniram em volta do piano no salão ao fundo da escotilha. Os convéses estavam desertos. O homem ouvira a música e cantaria junto, mas estava quente na cabine, então ele saiu para fumar um cigarro e aproveitar o ar fresco trazido pela rápida passagem do navio....

Clube do Haxixe — História do Amante do Haxixe - As Mil e Uma Noites

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História do Amante do Haxixe (…) E depois desse feito, Kanmakan encontrou uma senhora negra muito idosa, uma andarilha do deserto, que viajava de tribo em tribo contando histórias e contos à luz das estrelas. Kanmakan, que já ouvira falar dela, implorou que ela parasse e descansasse em sua tenda e lhe contasse algo que o distraísse e alegrasse seu espírito, expandindo seu coração. E a velha andarilha respondeu: "Com muita amizade e respeito!" Então, ela se sentou ao lado dele na esteira e lhe contou esta História do Amante do Haxixe: "Sabe, a coisa mais deliciosa que já agradou meus ouvidos, ó meu jovem senhor!, é esta história que ouvi sobre um haschash entre os haschaschis." "Havia um homem que adorava a carne de virgens..." Nesse ponto da sua narrativa, Sherazade viu a manhã surgir e discretamente silenciou. Mas quando chegou a 142ª noite Ela disse: "Havia um homem que adorava a carne de virgens e não pensava em mais nada. Como essa carne é tão car...

Clube do Haxixe — O Homem do Haxixe por Lord Dunsany

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Esta série "Clube do Haxixe" é dedicada a postar contos relacionados com o tema das drogas em geral.  O Homem do Haxixe por Lord Dunsany No outro dia, eu estava participando de um almoço em Londres. As senhoras haviam se retirado para o andar de cima, e ninguém estava sentado à minha direita; à minha esquerda estava um homem que eu não conhecia, mas que evidentemente sabia meu nome, porque após um tempo ele se virou para mim e disse: "Li uma das suas reportagens sobre Bethmoora em uma revista." Claro, eu me lembrava da história. Era a história de uma bela cidade do leste que foi repentinamente abandonada um dia, ninguém sabe por quê. Eu respondi: Ah, sim! — e eu, calmamente, busquei em minha mente alguma fórmula de reconhecimento mais apropriada ao elogio que sua memória me dedicara. Mas fiquei surpreso quando ele me disse: "Você está enganado sobre a doença gnosar; não era nada disso." Eu respondi: "O quê? Você já esteve lá?" E ele disse: “Sim; ...

Contos Únicos - O Anúncio por Nugent Barker

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Esta série tem como objetivo oferecer algumas histórias que, embora quase totalmente desconhecidas hoje em dia (mesmo em seus países de origem, até mesmo para os fãs mais fervorosos do gênero), poderiam, ainda assim, rivalizar com muitas das obras mais célebres da literatura de fantasmas, terror ou fantasia. Seu único obstáculo para alcançar esse objetivo talvez tenha sido o fato de serem as únicas aceitáveis de cada autor. O Anúncio Por Nugent Barker Por volta das três horas da tarde de um dia quente de agosto, um homem alto, com cara de estudioso, saiu de um beco e começou a caminhar sem pressa ao longo dessa importante artéria urbana, no meio do barulho do trânsito. As pessoas esbarravam nele a cada passo, e então ele levantava-se do chão e pedia desculpa com os olhos. Quando se apercebeu de que estava prestes a entrar na Biblioteca Pública, um sorriso amargo espalhou-se pelo seu rosto, e ficou parado por um momento, olhando para as duas manchas solares espelhadas nos seus sapat...