Clube do Haxixe — O Cachimbo de Ópio – Théophile Gautier
O CACHIMBO DE ÓPIO Por Théophile Gautier Outro dia, encontrei meu amigo Alphonse Karr sentado em seu sofá, com uma vela acesa, embora fosse plena luz do dia, e em sua mão, um tubo de madeira de cerejeira com um cogumelo de porcelana no qual ele despejava uma espécie de pasta escura semelhante à cera de lacre; a pasta queimava e crepitava na chaminé do cogumelo, e ele inalava por meio de um pequeno bocal amarelo-âmbar a fumaça que se espalhava instantaneamente pelo cômodo com um vago cheiro de perfume oriental. Sem dizer uma palavra, peguei o dispositivo das mãos do meu amigo e levei meus lábios a uma das extremidades; após algumas tragadas, senti uma espécie de tontura agradável, bastante semelhante às sensações da embriaguez pela primeira vez. Como eu não estava com vontade naquele dia e não tinha tempo para me embriagar, pendurei o cachimbo num prego e descemos ao jardim para ver as dálias e brincar um pouco com o Schutz, aquele animal feliz cuja única função é ser preto num tape...