FEITO À MÃO por Herman Schmitz Não estou mais sozinho. A cada dia, mais e mais fantasmas juntam-se como uma multidão rotineira avançando sobre as vias já congestionadas dessas imagens fragmentadas na minha retina. A sensação do tempo praticamente acabou. Posso ir à vontade, para cima e para baixo, posso voltar o filme em qualquer direção que eu deseje, posso assinalar esse aqui e segui-lo como um cão sabujo. Essa aí de vermelho, por exemplo, eu sei que mora num pequeno apartamento na 56. São tantos pedestres pedindo a minha atenção que já perdi a conta e o tempo com isso. A fase seguinte, é a das construções delicadas. Me apetecem várias formas de ornados, desde os parangolés até o mosaico português. Neles coloco essas pessoas, para dirigirem-se sempre nas mesmas posições, dentro dos mesmos motivos. Essa ordem geométrica as atrai como o mel às abelhas. Seus movimentos então são perfeitamente distinguidos em cada hora do dia: de manhã, saem à rua e andam alguma...