As Flores das Trevas — Villiers de l' isle-Adam (Conto breve)
As Flores das Trevas Ao Senhor Léon Dierx Pessoas de bem, vocês que passam: Rezem pelos mortos! Inscrição à margem de uma estrada Oh, os belos entardeceres! Em frente os brilhantes cafés dos bulevares, nas varandas das confeitarias da moda, que mulheres elegantes em seus trajes coloridos, dando um tom alegre para as ruas. E eis aqui as pequenas vendedoras de flores, circulando com suas frágeis cestinhas. As belas desocupadas aceitam essas flores perecíveis, assustadas, misteriosas... — Misteriosas? — Sim, com certeza! Existe, saibam, sorridentes leitoras –, existe aqui mesmo em Paris uma certa agência que tem acordos com vários agentes funerários de luxo, e inclusive com coveiros, para despojar aos defuntos recentes, não deixando que se murchem inutilmente nas sepulturas todos esses magníficos ramos de flores, essas coroas, essas rosas que, às centenas, o amor filial ou conjugal deposita diariamente nas sepulturas. Estas flores quase sempre permanecem esqueci...