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As Flores das Trevas — Villiers de l' isle-Adam (Conto breve)

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As Flores das Trevas Ao Senhor Léon Dierx Pessoas de bem, vocês que passam: Rezem pelos mortos! Inscrição à margem de uma estrada Oh, os belos entardeceres! Em frente os brilhantes cafés dos bulevares, nas varandas das confeitarias da moda, que mulheres elegantes em seus trajes coloridos, dando um tom alegre para as ruas. E eis aqui as pequenas vendedoras de flores, circulando com suas frágeis cestinhas. As belas desocupadas aceitam essas flores perecíveis, assustadas, misteriosas... — Misteriosas? — Sim, com certeza! Existe, saibam, sorridentes leitoras –, existe aqui mesmo em Paris uma certa agência que tem acordos com vários agentes funerários de luxo, e inclusive com coveiros, para despojar aos defuntos recentes, não deixando que se murchem inutilmente nas sepulturas todos esses magníficos ramos de flores, essas coroas, essas rosas que, às centenas, o amor filial ou conjugal deposita diariamente nas sepulturas. Estas flores quase sempre permanecem esqueci...

É de confundir! — Conto de Villiers De L’isle-Adam

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É de confundir! — Conto de Auguste Villiers De L’isle-Adam Numa cinza manhã de novembro, eu ia descendo pela beira do rio em passo apressado. Uma garoa fria molhava o ar. Passantes negros, abrigados em guarda- chuvas disformes, se entrecruzavam. O Sena amarelado carregava seus barcos de mercadorias parecidos com besouros. Nas pontes, o vento fustigava bruscamente os chapéus, cujos donos lutavam com o espaço para salvá-los, fazendo aqueles gestos e contorções sempre tão penosos para o artista. Minhas idéias eram pálidas e brumosas; a preocupação de um encontro de negócios, aceito na véspera, atazanava minha imaginação. O tempo era curto, resolvi me abrigar debaixo da marquise de um portão, de onde seria mais cômodo fazer sinal para um fiacre. Na mesma hora notei, bem ao meu lado, a entrada de um prédio quadrado, de aparência burguesa. Ele tinha se erguido na bruma como uma aparição de pedra, e, apesar da rigidez de sua arquitetura, apesar do vapor sinistro que o envolvia, perc...

O Suplício da Esperança — de Villiers de L'Isle-Adam por João Alphonsus

O senhor conhece um conto de Villiers de L'Isle-Adam, o Suplício da Esperança? Não? Um inquisidor determinou que se suplicie uma de suas vítimas, como último recurso para tentar a salvação de sua alma. Com a esperança de poder fugir da prisão, o homem descobre que a porta do calabouço foi esquecida com a fechadura aberta, empurra-a e sai pelos intermináveis corredores; os frades passam por ele; sem vê-lo em algum cotovelo de muro em que procurava se ocultar; um deles, que vem discutindo com outro sobre alto problema teológico, pousa sobre o fugitivo o olhar distraído, e o fugitivo se imobiliza num calafrio gelado, dentro de um desvão de parede; mas ambos distraidamente se afastam repetindo, entre outras palavras pias, o nome de Cristo: o fugitivo já está vendo a porta de saída, lá fora há luz e ar; se aproxima da liberdade, quando se sente abraçado pelo próprio inquisidor, que o chama de filho e lhe diz para não fugir dali, para não fugir de Cristo… É assim que guardei a r...

Villiers de l´Isle Adam - Ah!, as ideias são seres vivos!...

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Do Conto Vera, 1874