quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Literatura & Culinária - Honoré de Balzac - Uma estréia na vida (fragmento)


Hoje, segunda-feira, 25 de novembro de 1822, após uma sessão realizada ontem na rue de la Cerisaie, quarteirão do Arsenal, em casa da sra. Clapart, mãe do aspirante forense Oscar Husson, nós abaixo-assinados declaramos que o banquete de recepção ultrapassou a nossa expectativa. Compunha-se de rabanetes negros e rosados, pepinos, anchovas-manteiga e azeitonas como hors-d’oeuvre; uma suculenta sopa de arroz, testemunho da solicitude maternal, porquanto percebemos nela um delicioso gosto de ave, e, pela confissão do recipiendário, viemos a saber que efetivamente os miúdos empregados numa bela carne estufada, preparada cuidadosamente sob os auspícios da sra. Clapart, tinham sido judiciosamente inseridos no cozido feito em casa com cuidados que só são dispensados nos lares.
Item, a carne estufada cercada por mar de gelatina, obra da referida mãe do supradito.
Item, língua de boi “aux tomates” que não nos achou “automates”.
Item, ensopados de pombos, com um paladar que fazia crer terem os anjos superintendido sua feitura.
Item, uma terrina de macarrão em frente a potes de creme de chocolate.
Item, uma sobremesa composta de onze pratos delicados, entre os quais, apesar do estado de embriaguez em que nos tinham deixado dezesseis garrafas de vinhos proficientemente escolhidos, notamos uma compota de pêssegos de uma delicadeza augusta e mirabolante.
Os vinhos do Roussillon e os da margem do Ródano derrotaram os da Champagne e da Bourgogne. Uma garrafa de marasquino e uma de kirsch, apesar de um café delicioso, acabaram por mergulhar-nos em tal êxtase enológico que um de nós, o sr. de Hérisson, se achou no Bois de Boulogne julgando estar ainda no Boulevard du Temple; e que Jacquinaut, o aprendiz de escrevente, com quatorze anos de idade, se dirigiu a burguesas de cinquenta e sete anos, tomando-as por mulheres fáceis; lavra-se ata.


Honoré de Balzac - Uma estréia na vida, 1844

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A Teoria - Jonathan Culler

A Teoria

A impossibilidade de dominar a teoria é uma causa importante de resistência a ela. Não importa quão bem versado você possa pensar ser, não pode jamais ter certeza se "tem de ler" ou não Jean Baudrillard, Mikhail Bakhtin, Walter Benjamin, Hélene Cixous, C.L.R. James, Melanie Klein ou Julia Kristeva, ou se pode ou não esquecê-los com segurança. (Dependerá, naturalmente, de quem "você" é e quem quer ser). Grande parte da hostilidade à teoria, sem dúvida, vem do fato de que admitir a importância da teoria é assumir um compromisso aberto, deixar a si mesmo numa posição em que há sempre coisas importantes que você não sabe. Mas essa é uma condição da própria vida.


Jonathan Culler - Teoria Literária, 1999.

Mais vasto que um formigueiro - Stendhal (Citação)

Mais Vasto que um formigueiro

Um caçador dispara um tiro de espingarda numa floresta, a sua presa cai, ele corre para a agarrar. O seu calçado bate num formigueiro de dois pés de altura, destrói a habitação das formigas, atira-as para longe, bem como aos seus ovos... As mais filósofas das formigas não poderão nunca compreender esse corpo negro, imenso, horrível... a bota do caçador que de repente penetrou na morada delas com uma incrível rapidez, e precedida de um ruído pavoroso, acompanhado de centelhas de um fogo avermelhado...
Assim a morte, a vida, a eternidade... São coisas muito simples para quem tem uma alma suficientemente vasta para as conceber...


Stendhal

O Vermelho e o Negro

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017

Literatura & Culinária - A Festa de Babette - Isak Dinesen (1955)


O assistente de Babette encheu um pequeno copo diante de cada membro do grupo. Ergueram-nos para os lábios com ar grave, confirmando sua resolução.
O general Loewenhielm, um pouco desconfiado de seu vinho, deu um gole, sobressaltou-se, ergueu o copo primeiro até o nariz e depois na altura dos olhos e o pousou atônito. “Isto é muito estranho!”, pensou. “Amontillado! E o melhor amontillado que já provei em minha vida.” Após um momento, a fim de testar seus sentidos, tomou uma colherada de sopa, depois uma segunda colherada, e baixou a colher. “Isto é incrivelmente estranho!”, disse de si para si. “Pois sem dúvida estou tomando sopa de tartaruga… e que sopa de tartaruga!” Foi presa de um tipo esquisito de pânico e esvaziou o copo.
Geralmente, em Berlevaag, as pessoas não falam muito quando estão comendo. Mas de algum modo, nessa noite, as línguas se soltaram. Um velho irmão contou a história de seu primeiro encontro com o deão. Outro, falou sobre o sermão que sessenta anos antes levara-o à conversão. Uma senhora idosa, aquela a quem Martine primeiro confiara sua preocupação, lembrou às amigas como, em todas as aflições, qualquer irmão ou irmã estava pronto para compartilhar o fardo alheio.
O general Loewenhielm, que deveria dominar a conversa à mesa do jantar, relatou que a coleção de sermões do deão era o livro favorito da rainha. Mas quando um novo prato foi servido, ficou em silêncio. “Incrível!”, disse para si mesmo. “É Blinis Demidoff!” Olhou em torno para os comensais. Todos comiam tranquilamente seu Blinis Demidoff, sem o menor traço de surpresa ou aprovação, como se houvessem feito aquilo todos os dias por trinta anos.
Uma irmã do outro lado da mesa introduziu o assunto de estranhos acontecimentos que se passaram quando o deão ainda se encontrava entre seus filhos e que se poderia ousar chamar de milagres. Acaso se lembravam, perguntou, da vez em que prometera fazer um sermão de Natal na cidade do outro lado do fiorde? Por duas semanas, o tempo estivera tão ruim que nenhum capitão ou pescador arriscaria uma travessia. Os moradores da cidadezinha já haviam perdido a esperança, mas o deão lhes disse que se nenhum barco o levasse, iria até eles caminhando por sobre as ondas. E não é que três dias antes do Natal a tempestade amainou e uma densa camada de gelo cobriu as águas do fiorde de costa a costa – e isso foi algo que jamais acontecera antes, até onde todos se lembravam!
O rapaz mais uma vez encheu os copos. Dessa vez, os irmãos e irmãs sabiam que aquilo que lhes era servido não era vinho, pois borbulhava. Devia ser algum tipo de limonada. A limonada harmonizou-se com o estado de espírito exaltado de todos e pareceu erguê-los do solo, para uma esfera mais elevada e pura.
O general Loewenhielm mais uma vez baixou o copo, virou-se para o vizinho da direita e disse: “Mas sem dúvida trata-se de um Veuve Clicquot 1860, não?”. O homem lançou-lhe um olhar benévolo, sorriu e fez uma observação sobre o tempo.
O ajudante de Babette tinha suas instruções; enchia os copos da irmandade apenas uma vez, mas voltava a encher o copo do general assim que esvaziava. O general o esvaziava rapidamente vez após outra. Afinal, como deve se portar um homem de bom senso quando não pode confiar em seus sentidos? Melhor ficar bêbado do que louco.
Na maioria das vezes, os moradores de Berlevaag, no transcorrer de uma boa refeição, sentiam-se um pouco pesados. Nessa noite não foi assim. Os convivas sentiam-se cada vez mais leves, e de espírito mais leve, quanto mais comiam e bebiam. Já não precisavam mais lembrar-se de sua promessa. Era, percebiam, quando o homem não só esquecia completamente, como também rejeitava firmemente toda ideia de alimento e bebida que ele comia e bebia no espírito certo.
O general Loewenhielm parou de mastigar e ficou imóvel. Mais uma vez viu-se levado de volta àquele jantar em Paris do qual se lembrara no trenó. Um prato incrivelmente refinado e saboroso fora servido na ocasião; ele perguntara o nome para um colega ao lado, o coronel Galliffet, e o coronel explicou-lhe sorridente que se chamava “Cailles en Sarcophage”. Posteriormente, contou-lhe que o prato fora criado pelo chef daquele mesmo café onde jantavam, uma pessoa conhecida por toda Paris como o maior gênio culinário da época, e – o mais surpreendente – uma mulher! “E de fato”, disse o coronel Galliffet, “essa mulher está transformando um jantar no Café Anglais numa espécie de envolvimento amoroso – num envolvimento amoroso daquela categoria nobre e romântica na qual a pessoa não mais distingue entre apetite ou saciedade, corporal e espiritual! Já tive oportunidade, certa feita, de duelar em nome de uma bela dama. Por nenhuma mulher em toda Paris, meu jovem amigo, eu derramaria meu sangue de mais boa vontade!” O general Loewenhielm virou-se para o comensal à esquerda e disse: “Mas isto é Cailles en Sarcophage!”. O vizinho, que estivera escutando a descrição de um milagre, fitou-o distraidamente, balançou a cabeça e respondeu: “Sim, sim, decerto. O que mais poderia ser?”.
Dos milagres do mestre, a conversa em torno da mesa enveredara para os milagres menores de bondade e obsequiosidade realizadas pelas suas filhas. O velho irmão que entoara o hino primeiro citou o deão dizendo: “As únicas coisas que devemos levar conosco desta vida terrena são as que doamos!”. Os convivas sorriram – que ricaças não seriam as pobres e simples donzelas no próximo mundo!
O general Loewenhielm não se espantava mais com nada. Quando, poucos minutos depois, viu uvas, pêssegos e figos frescos diante de si, riu para o comensal do outro lado da mesa e observou: “Que uvas lindas!”. O vizinho replicou: “E chegaram ao vale de Escol; lá cortaram um ramo de videira com um cacho de uvas que levaram sobre uma vara”. (p. 64)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

As Formigas e a Cigarra - Fábula de Ambrose Bierce

Desenho de Batarda Fernandes


AS FORMIGAS E A CIGARRA



Estavam uns tantos Membros duma Assembleia Legislativa a inventariar, no fim de uma sessão, as respectivas fortunas, quando lhes apareceu um Honesto Mineiro a pedir que partilhassem com ele.

— Porque é que o senhor não adquiriu os bens que, por direito, lhe pertencem? — Perguntaram-lhe os Membros da Assembleia Legislativa.

— Porque — respondeu o Honesto Mineiro — estava tão ocupado a extrair ouro que não tive tempo para juntar coisa que se visse.

Os Membros da Assembleia Legislativa puseram-se a rir dele, dizendo:

— Se o senhor perde tempo com tão fúteis distrações, não esteja agora à espera de ter parte na remuneração por um trabalho assíduo.


***
Ambrose Bierce, Fábulas Fantásticas, 1899.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Quando a estrutura falha, a rima tenta vir em socorro - W. C. Williams

Quando a estrutura falha,
a rima tenta vir em socorro

O cavalo velho morre devagar.
Gradativamente
o fervor de suas veias
compara-se ao estiramento

das folhas, dia a dia. Mas
o passo que sua
mente mantém, é o passo
dos seus sonhos. Ele

faz o que pode, com
inabalável fleugma,
olá! mas o passo que
sua carne mantém —

inclinada, inclinada sobre
barras — mendiga
praticamente todo o passo e todos
os refúgios de seus sonhos.

William Carlos Williams
(Tradução: Jorge Wanderley)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Quanto? — Poema de Carl Sandburg

QUANTO?

— Quanto me amas? Um milhão de alqueires?
— Oh, muito mais que isso, oh, muito mais.

— E amanhã? Talvez meio alqueire?
— Amanhã talvez nem isso.

É esta, então, a aritmética do teu coração?
— Não; é o modo como o vento mede o tempo.

Carl Sandburg

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Gunga Din - poema de Rudyard Kipling (spanish-engish)




Filme baseado no poema de Rudyard Kipling


Gunga Din

BY RUDYARD KIPLING



GUNGA DIN (traducción libre)

Puedes pedir ginebra o cerveza cuando tengas la bolsa llena por tu paga de soldado.
Antes estás condenado a peleas de un penique.
Pero cuando venga a degollarte la sed lamerás la frescura del agua de la bota del aguador.
Recuerdo ahora, bajo el inclemente sol de la India,
donde solía gastar mi tiempo al servicio de su Majestad la Reina,
que de todos los hombres del regimiento el mejor era el moreno Gunga Din.
El era Din! Din! Din! (*)
Limpia el polvo del suelo Gunga Din!
Ay! pillastre escaqueado, tráeme agua!,
deja a Panee Lao, tu maloliente ídolo, Gunga Din!


El uniforme que llevaba no era ya nada desde hace mucho.
Envuelto en un pedazo de trapo por turbante,
una bolsa de piel de cabra con agua, era todo su equipo de campaña.
Cuando la tropa se pone a comer a la sombra, durante el día, cuando brillan los ojos bajo las cejas, gritamos “¡rápido aquí, antes de que nuestras gargantas estén secas”!.
Nosotros mismo éramos la culpa de que no pudiese servir a todos.
“¿Dónde te metes pillastre?,
¡te voy a sacar el tuétano si no llenas ahora mismo mi casco, Gunga Din!”


Llevaba el agua por largo que fuese el día, no pareció conocer nunca el miedo.
Si nos herían o nos lesionábamos, puedes apostar que aguardaba cincuenta pasos a tu flanco derecho.
Con la trompeta atrás él podía aguardar nuestro ataque, nos acompañaba hasta que el clarín toca retirada.
Para todos era “sucio”, pero era un blanco, un fácil blanco, cuando acudía junto a un herido bajo el fuego!
Era “Din! Din! Din!” y las balas levantaban motas de polvo sobre la hierba.

Cuando se acabó la munición, podías oir los gritos de las primeras filas;“¡rápido, mulas de munición Gunga Din!”
No podré olvidar la noche en la que caí golpeado por una bala donde debía estar mi hebilla del cinturón. Estaba atragantado, loco por la sed, y el hombre que primero me vio fue nuestro viejo y bueno burlón de Gunga Din. Me levantó la cabeza y me taponó la herida, me dio una especie de agua verde que apestaba, pero de todas las bebidas que jamás he tomado, es la que más he agradecido, la de Gunga Din.
Era Din! Din! Din! Hay un miserable con una bala en el bazo, caído en tierra. Disparos alrededor. Para él hay agua. ¡Gunga Din!
Me llevó donde estaba el campamento. Una bala me había taladrado limpiamente.

Me puso a seguro dentro justo antes de la muerte.
“Espero que le haya gustado la bebida” dijo Gunga Din.
Entonces me encontré en el lugar donde hay doble agujero y ninguna cantina,
donde los carbones encendidos devoran pobres almas malditas...
Conseguiré un trago en el infierno de Gunga Din!
Si. Din! Din! Din!
Piel tiñosa de Gunga Din!
Aunque yo te haya pegado hasta desollarte,
¡Juro por Dios que eres mejor hombre que yo, Gunga Din!

*DIN = descuidado, atolandrado

Traducción:
Francisco Javier D. de Otazú

************************
VERSÃO ORIGINAL
Gunga Din

BY RUDYARD KIPLING

You may talk o’ gin and beer
When you’re quartered safe out ’ere,
An’ you’re sent to penny-fights an’ Aldershot it;
But when it comes to slaughter
You will do your work on water,
An’ you’ll lick the bloomin’ boots of ’im that’s got it.
Now in Injia’s sunny clime,
Where I used to spend my time
A-servin’ of ’Er Majesty the Queen,
Of all them blackfaced crew
The finest man I knew
Was our regimental bhisti, Gunga Din,
He was ‘Din! Din! Din!
‘You limpin’ lump o’ brick-dust, Gunga Din!
‘Hi! Slippy hitherao
‘Water, get it! Panee lao,
‘You squidgy-nosed old idol, Gunga Din.’



The uniform ’e wore
Was nothin’ much before,
An’ rather less than ’arf o’ that be’ind,
For a piece o’ twisty rag
An’ a goatskin water-bag
Was all the field-equipment ’e could find.
When the sweatin’ troop-train lay
In a sidin’ through the day,
Where the ’eat would make your bloomin’ eyebrows crawl,
We shouted ‘Harry By!’
Till our throats were bricky-dry,
Then we wopped ’im ’cause ’e couldn’t serve us all.
It was ‘Din! Din! Din!
‘You ’eathen, where the mischief ’ave you been?
‘You put some juldee in it
‘Or I’ll marrow you this minute
‘If you don’t fill up my helmet, Gunga Din!’



’E would dot an’ carry one
Till the longest day was done;
An’ ’e didn’t seem to know the use o’ fear.
If we charged or broke or cut,
You could bet your bloomin’ nut,
’E’d be waitin’ fifty paces right flank rear.
With ’is mussick on ’is back,
’E would skip with our attack,
An’ watch us till the bugles made 'Retire,’
An’ for all ’is dirty ’ide
’E was white, clear white, inside
When ’e went to tend the wounded under fire!
It was ‘Din! Din! Din!’
With the bullets kickin’ dust-spots on the green.
When the cartridges ran out,
You could hear the front-ranks shout,
‘Hi! ammunition-mules an' Gunga Din!’



I shan’t forgit the night
When I dropped be’ind the fight
With a bullet where my belt-plate should ’a’ been.
I was chokin’ mad with thirst,
An’ the man that spied me first
Was our good old grinnin’, gruntin’ Gunga Din.
’E lifted up my ’ead,
An’ he plugged me where I bled,
An’ ’e guv me ’arf-a-pint o’ water green.
It was crawlin’ and it stunk,
But of all the drinks I’ve drunk,
I’m gratefullest to one from Gunga Din.
It was 'Din! Din! Din!
‘’Ere’s a beggar with a bullet through ’is spleen;
‘’E's chawin’ up the ground,
‘An’ ’e’s kickin’ all around:
‘For Gawd’s sake git the water, Gunga Din!’



’E carried me away
To where a dooli lay,
An’ a bullet come an’ drilled the beggar clean.
’E put me safe inside,
An’ just before ’e died,
'I ’ope you liked your drink,’ sez Gunga Din.
So I’ll meet ’im later on
At the place where ’e is gone—
Where it’s always double drill and no canteen.
’E’ll be squattin’ on the coals
Givin’ drink to poor damned souls,
An’ I’ll get a swig in hell from Gunga Din!
Yes, Din! Din! Din!
You Lazarushian-leather Gunga Din!
Though I’ve belted you and flayed you,
By the livin’ Gawd that made you,
You’re a better man than I am, Gunga Din!



Source: A Choice of Kipling's Verse (1943)

terça-feira, 2 de maio de 2017

Belchior Implodiu - poema de Herman Schmitz



BELCHIOR IMPLODIU

Belchior era apenas um rapaz Latino Americano
que subiu nos palcos, ganhou muito 
mas deixou os shows por medo de avião

Se entregou ao belo prazer de viver
Aventuras muitas, dívidas maiores
De pronto, sua voz não soava tão bem

Uma paixão pela pintura compensava
e a loucura elucubrativa e filosófica
lhe trouxe mecenas e financiadores

Adeus lucro fácil dublando a si mesmo
porque não ser o poeta de tempo integral?

Desceu os degraus ilusórios da fama
com o seu ego em busca de um fim natural
e deste modo raro, conseguiu ser a pessoa
que, renunciando em ser, mais além foi!

2017@HermanSchmitz