O Amor e a Loucura — La Fontaine
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.

Áporo é o título de um poema de Carlos Drummond de Andrade, pertencente a seu livro A Rosa do Povo.
ResponderExcluirSignificado
Tem diversos significados, desde sem saída (da sua origem grega), e sua variação problema difícil de se resolver, até uma espécie de inseto, passando também por um tipo de orquídea. Cada estrofe do poema transcrito acima se foca em um significado da palavra áporo.
A primeira corresponde ao inseto, que cava sem alarme perfurando a terra.
A segunda estrofe fala da aporia, que corresponde a um problema quase sem solução.
A última trata da orquídea.
Análise
Pode-se analisar o poema como sendo um exemplo de dialética, o qual inicia-se com uma tese (ou fato) seguida por uma antítese (ou negação dessa tese) e por fim apresenta uma síntese, que é a convivência paradoxal dessas duas idéias. Assim, cada estrofe representa também um dos passos descritos. O inseto que cava insistente, porém pacíficamente, sem achar saída da terra é a tese. É seguida por uma antítese, que nega a pacificidade do bichinho, tornando sombrio e sem saída seu ambiente e futuro. Por fim, nasce uma orquídea antieuclideana (contra o criador da geometria, Euclides de Alexandria, o que indica que nasce contra todas as leis da geometria, ou do que se esperava), que é apresentada como a salvação, a solução, em meio ao escuro, à noite.
Por diversas vezes flores são símbolos de solução nos poemas deste livro. No poema "A Flor e a Náusea" também uma frágil flor nasce da loucura, num ambiente inóspito.
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81poro
Sobre o autor:
ResponderExcluirhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Drummond_de_Andrade