O Amor e a Loucura — La Fontaine
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.

Escritor e diplomata francês, nascido em 1882 e falecido em 1944, estreou-se literariamente com Les Provinciales (1909) e o romance Simon le Pathétique (1918). Os seus maiores sucessos foram as peças de teatro Sigfried (1928), Amphitryon 38 (1929), Judith (1931), La guerre de Troie n'aura pas lieu (A Guerra de Troia não terá Lugar, 1935), Électre (1937) e Sodome et Gomorrhe (1943) em que, ao fascínio pela cultura grega e alemã, assimilaria a inquietude moderna. Foram representadas postumamente as suas três últimas peças, com destaque para La Folle de Chaillot (1945).
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