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Mostrando postagens de 2017

Miniconto - Sonho de uma Virgem - Tomás Arauz

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Miniconto

As Formigas e a Cigarra - Fábula de Ambrose Bierce

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Desenho de Batarda Fernandes AS FORMIGAS E A CIGARRA Estavam uns tantos Membros duma Assembleia Legislativa a inventariar, no fim de uma sessão, as respectivas fortunas, quando lhes apareceu um Honesto Mineiro a pedir que partilhassem com ele. — Porque é que o senhor não adquiriu os bens que, por direito, lhe pertencem? — Perguntaram-lhe os Membros da Assembleia Legislativa. — Porque — respondeu o Honesto Mineiro — estava tão ocupado a extrair ouro que não tive tempo para juntar coisa que se visse. Os Membros da Assembleia Legislativa puseram-se a rir dele, dizendo: — Se o senhor perde tempo com tão fúteis distrações, não esteja agora à espera de ter parte na remuneração por um trabalho assíduo. *** Ambrose Bierce, Fábulas Fantásticas, 1899.

Quando a estrutura falha, a rima tenta vir em socorro - W. C. Williams

Quando a estrutura falha, a rima tenta vir em socorro O cavalo velho morre devagar. Gradativamente o fervor de suas veias compara-se ao estiramento das folhas, dia a dia. Mas o passo que sua mente mantém, é o passo dos seus sonhos. Ele faz o que pode, com inabalável fleugma, olá! mas o passo que sua carne mantém — inclinada, inclinada sobre barras — mendiga praticamente todo o passo e todos os refúgios de seus sonhos. William Carlos Williams (Tradução: Jorge Wanderley)

Quanto? — Poema de Carl Sandburg

QUANTO? — Quanto me amas? Um milhão de alqueires? — Oh, muito mais que isso, oh, muito mais. — E amanhã? Talvez meio alqueire? — Amanhã talvez nem isso. É esta, então, a aritmética do teu coração? — Não; é o modo como o vento mede o tempo. Carl Sandburg

Belchior Implodiu - poema de Herman Schmitz

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BELCHIOR IMPLODIU Belchior era apenas um rapaz Latino Americano que subiu nos palcos, ganhou muito  mas deixou os shows por medo de avião Se entregou ao belo prazer de viver Aventuras muitas, dívidas maiores De pronto, sua voz não soava tão bem Uma paixão pela pintura compensava e a loucura elucubrativa e filosófica lhe trouxe mecenas e financiadores Adeus lucro fácil dublando a si mesmo porque não ser o poeta de tempo integral? Desceu os degraus ilusórios da fama com o seu ego em busca de um fim natural e deste modo raro, conseguiu ser a pessoa que, renunciando em ser, mais além foi ! 2017@HermanSchmitz

A Porta Aberta - Conto de SAKI

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A PORTA ABERTA SAKI — Minha tia já vai descer, sr. Nuttel — disse uma jovem dama de 15 anos, muito segura de si. — Enquanto isso, o senhor terá de me aturar. Framton Nuttel procurava dizer algo apropriado que lisonjeasse devidamente a sobrinha no momento, sem indevidamente menosprezar a tia de logo mais. De si para si, duvidava, mais do que nunca, que visitas de cortesia, como essa, a uma série de pessoas estranhas, beneficiassem muito o tratamento de nervos a que pretendiam submetê-lo. — Já sei como vai ser a coisa — dissera-lhe a irmã quando ele preparava sua retirada para aquele recanto de província. — Você vai se enterrar ali sem falar a vivalma e vai se aborrecer tanto que os seus nervos ficarão piores do que nunca. Por precaução, dou-lhe umas cartas de recomendação para todas as pessoas do lugar que são minhas conhecidas. Algumas delas, ao que me lembro, são bem agradáveis. Framton perguntava a si mesmo, agora, se a sra. Sappleton, a quem vinha apresentar uma daquel...

Lucrécio, Poeta - conto de Marcel Schwob

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Marcel Schwob LUCRÉCIO, POETA Lucrécio veio ao mundo numa grande família que se retirara da vida social. Seus primeiros dias receberam a sombra do negro pórtico de uma casa alta erguida na montanha. O átrio era severo; os escravos, mudos. Desde cedo o adolescente se viu cercado pelo desprezo da política e dos homens. O nobre Mêmio, que tinha a mesma idade, participou, na floresta, dos jogos que Lucrécio lhe impusera. Juntos, os dois admiraram as rugas das velhas árvores, e espiaram o tremor das folhas ao sol, como um víride véu de luz juncado de manchas de ouro. Muitas vezes contemplaram as costas listradas dos porcos selvagens que fossavam o solo. Atravessaram cachos frementes de abelhas e bandos de formigas em marcha. E certo dia, ao saírem de uma mata de corte, chegaram a uma clareira rodeada de antigos sobros, assentados tão estreitamente que o círculo deles escavava no céu um poço de azul. A paz desse asilo era infinita. Dir-se-ia uma longa estrada clara que ia para o a...

Franz Kafka - Sobre os livros

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Franz Kafka - Sobre os livros Deveríamos apenas ler livros que nos mordem e espicaçam. Se a obra que lemos não nos desperta com um golpe de punho sobre o crânio, qual é a vantagem de a ler? Para que nos torne felizes, como afirmas? Meu Deus, seríamos da mesma forma felizes se não tivéssemos livro. E os livros que nos deixam felizes, a rigor, poderíamos escrevê-los nós mesmos. Em contrapartida, precisamos de livros que sobre nós atuem de modo igual a uma desgraça; que nos façam sofrer muito, como a morte de quem amássemos mais do que a nós mesmos, como um suicídio. Um livro deve ser o machado que rompe o mar gelado existente em cada um de nós.  *** Carta a Oskar Pollak, de 27 de janeiro de 1904. In: NUNES, Danillo. Franz Kafka: vida heroica de um anti-herói. Rio de Janeiro: Edições Bloch, 1974. p. 167-168.

Cozinha #LONDRIX - #Gastronomia #Literatura

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Quarta, dia 15/02, às 20 horas no Museu Histórico de Londrina. MESA "COZINHA LONDRIX" O chef Marcello Sokolowski , a nutricionista Valéria Arruda Mortara e o escritor Herman Schmitz se reúnem pra botar na mesa as misturas e as influências da literatura e da gastronomia. Um banquete pra quem ama literatura e comida boa!

Retratos de Escritores — André Gide

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André Gide (1869 - 1951) perto de Ascona, Suíça, 1947. Escritor Francês, ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1947. A obra de Gide está essencialmente consagrada a exploração do EU. Excelente narrador. 

Leitores e Livros - Julio Cortázar

Leitores e Livros A técnica consistia em marcar encontros vagos num bairro a uma certa hora. Eles gostavam de desafiar o perigo de não se encontrarem, de passarem o dia sozinhos, metidos num café ou sentados num banco de praça, lendo-um-livro-a-mais. A teoria do livro-a-mais era de Oliveira, e a Maga aceitara-a por pura osmose. Na realidade, para ela quase todos os livros eram livros-de-menos, a não ser que, de repente, quisesse encher-se de uma imensa sede e durante um tempo infinito (calculável entre três e cinco anos) ler as obras completas de Goethe, Homero, Dylan Thomas, Mauriac, Faulkner, Baudelaire, Roberto Arlt, Santo Agostinho e outros autores cujos nomes a sobressaltavam nos bate-papos do clube. A isso Oliveira respondia sempre com um desdenhoso encolher de ombros, falando das deformações rioplatenses, de uma raça de leitores de tempo integral, de bibliotecas pululantes de sabichões infiéis ao sol e ao amor, de casas onde o cheiro de tinta de imprensa acaba com a alegria ...