Esta é uma leitura do poema Manifesto da Poesia Zoom, em parceria com Augusto Silva na letra e com Oscar Holguin na imagem. (O Violão também é do autor).
A PORTA ABERTA SAKI — Minha tia já vai descer, sr. Nuttel — disse uma jovem dama de 15 anos, muito segura de si. — Enquanto isso, o senhor terá de me aturar. Framton Nuttel procurava dizer algo apropriado que lisonjeasse devidamente a sobrinha no momento, sem indevidamente menosprezar a tia de logo mais. De si para si, duvidava, mais do que nunca, que visitas de cortesia, como essa, a uma série de pessoas estranhas, beneficiassem muito o tratamento de nervos a que pretendiam submetê-lo. — Já sei como vai ser a coisa — dissera-lhe a irmã quando ele preparava sua retirada para aquele recanto de província. — Você vai se enterrar ali sem falar a vivalma e vai se aborrecer tanto que os seus nervos ficarão piores do que nunca. Por precaução, dou-lhe umas cartas de recomendação para todas as pessoas do lugar que são minhas conhecidas. Algumas delas, ao que me lembro, são bem agradáveis. Framton perguntava a si mesmo, agora, se a sra. Sappleton, a quem vinha apresentar uma daquel...
Fábula No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que um certo dia o Amor e o Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis — a deusa da vingança — e todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia para o Amor. Jean de La Fontaine, O Amor e a Loucura. In Os Melhores Contos de Loucura. Org. de Flávio Moreira da Costa, 2007.
CIÚMES por Sir John Randolph "Shane" Leslie (1885-1971) — Dentro da categoria dos pecados, o ciúme é o pior e mais terrível. Talvez não seja o mais imperdoável, mas é, sem dúvida, o menos indulgente. O ciúme desafia toda definição ou análise. Na loucura há um método, no amor um refinamento, mas o ciúme não sabe como elaborar um plano nem como ceder a tempo. É uma torrente furiosa de suspeitas e interpretações errôneas que nunca espera o momento oportuno nem respeita qualquer canal. É a paixão mais avassaladora conhecida pela humanidade, pois lhe faltam gradações, prelúdio e convalescença. Surge totalmente formada, completa e absoluta, da mente da pessoa ciumenta, e não dá trégua nem a quem a nutre nem, se possível, à sua vítima. Tanto em homens quanto em mulheres, conspira para perpetrar atos tão insanos quanto criminosos, que só podem ser perdoados, e nem sempre, por aqueles que agem cegos pela paixão do amor. O ciúme é a perversão do Amor. É para o Amor o que as maçãs de So...
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