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A Barba — Arthur Schopenhauer (A Arte de Insultar)

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A barba    A barba, por ser quase uma máscara, deveria ser proibida pela polícia. Além disso, enquanto distintivo do sexo em meio ao rosto, ela é obscena: por isso é apreciada pelas mulheres.    Dizem que a barba é natural ao homem: não há dúvida, e por isso ela é perfeitamente adequada ao homem no estado natural; do mesmo modo, porém, no estado civilizado é natural ao homem fazer a barba, uma vez que assim ele demonstra que a brutal violência animalesca — cujo emblema, percebido imediatamente por todos, é aquela excrescência de pelos, característica do sexo masculino — teve de ceder à lei, à ordem e à civilização. A barba aumenta a parte animalesca do rosto e a ressalta. Por essa razão, confere-lhe um aspecto brutal tão evidente. Basta observar um homem barbudo de perfil enquanto ele come! Este pretende que a barba seja um ornamento. No entanto, há duzentos anos era comum ver esse ornamento apenas em judeus, cossacos, capuchinhos, prisioneiros e ladrõ...

Lamentos de Ipu-ur - Poesia Egípcia (XII Dinastia)

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Lamentos de Ipu-ur Em verdade o rosto está pálido () o que os ancestrais predisseram aconteceu. Em verdade () o país está cheio de bandos [revoltosos], e para lavrar um homem leva seu escudo. Em verdade o cordato diz () é um homem de recursos. Em verdade [o rosto] está lívido e o arqueiro está pronto, o crime alastrou-se e não há homens como antigamente. Em verdade os ladrões estão por toda parte, os criados levam o que encontram. Em verdade o Nilo inunda mas ninguém lavra para si, pois todos dizem "Não sabemos o que sucederá ao pais". Em verdade as mulheres estão estéreis, nenhuma concebe: Chnum não molda [mortais] por causa da situação do pais. Em verdade os pobres passaram a exibir luxo, e o que não podia ter () sandálias possui riqueza Em verdade os criados estão vorazes e o poderoso não mais compartilha [de alegria] com sua gente Em verdade [os corações] estão violentos, a calamidade varre o país, há sangue por toda parte, não faltam morto...

Ernest Hemingway — Escrevendo em Paris

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Escrevendo em Paris        Era um café agradável, quente, limpo e acolhedor. Pendurei minha velha capa no cabide, para secar, coloquei meu surrado e desbotado chapéu de feltro na prateleira que ficava por cima dos bancos e pedi um café au lait . O garçom trouxe-o e eu tirei do bolso do paletó o caderno de notas e um lápis e comecei a escrever.     Estava escrevendo um conto que se passava em Michigan e, como o dia estava péssimo, frio e ventoso, coloquei em minha história um dia exatamente assim. Eu já conhecia muitos fins de outono, da minha infância, da adolescência e dos primeiros anos da idade adulta, e sabia que há lugares em que se pode escrever melhor sobre essa época do ano do que em outros. É o que se chama de transplantação, pensei, e isso podia ser tão necessário às pessoas como a outras espécies de coisas que crescem. No meu conto os rapazes estavam bebendo, e isso me deu sede: pedi um rum Saint James. Caiu-me bem, naquele dia frio, e co...

Nem eu nem ninguém mais pode caminhar esse caminho por você - Walt Whitman

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Nem eu nem ninguém mais pode caminhar esse caminho por você. Você deve caminhá-lo por si mesmo. Não está longe, está ao alcance. Talvez você esteja nele desde que nasceu e não saiba. Talvez esteja em todas as partes, sobre a água e sobre a terra. Walt Whitman

Alhos de Bugalhos — João Guimarães Rosa

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Alhos e Bugalhos Misturar alhos com bugalhos é tomar uma coisa por outra, fazer confusões. Há também a forma: falo-lhe em alhos, responde-me com bugalhos, consignada em vários adagiários e que significa: Pergunto-lhe uma coisa, responde outra. Há uma outra locução com o mesmo sentido: Confundir germano com gênero humano. João Guimarães Rosa apresenta uma extensão, no conto: “A simples e exata estória do burrinho do comandante”: “O Sr. pode às vezes distinguir alhos de bugalhos, e tassalhos de borralhos e vergalhos de chanfalhos, e mangalhos... Mas, e o vice-versa?" R. Magalhães Junior. Dicionário Brasileiro de Provérbios, Locuções e Ditos Curiosos, 1974

Pandemônio — John Milton

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Pandemônio Definida hoje por nossos dicionários como conluio de indivíduos para fazer mal ou armar desordens; o Inferno; tumulto; balbúrdia  e coisas semelhantes, pandemônio é uma palavra inventada pelo famoso poeta inglês John Milton em seu grande poema O Paraíso Perdido . Aliás, ele escrevia Pandemonium , com maiúscula, e no seu poema tal lugar é o Palácio dos Diabos, ou a capital do Inferno. Embora criada artificialmente, tal palavra tem raízes gregas perfeitas: pan, que significa todos, e daimon, demônios, ou seja, concentração ou assembléia de demônios. R. Magalhães Junior. Dicionário Brasileiro de Provérbios, Locuções e Ditos Curiosos, 1974

Serendipidade — James M. Schlatter

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Serendipidade Em dezembro de 1965, eu estava trabalhando com o Dr. Mazur na síntese do tetrapeptídeo terminal-C da gastrina. Nós estávamos fazendo compostos intermediários e tentando purificá-los. Particularmente, em uma ocasião em dezembro de 1965, eu estava recristalizando o aspartilfenilalanina metil éster (aspartame) que havia sido preparado... e dado a mim pelo Dr. Mazur. Eu estava aquecendo o aspartame em um frasco com metanol quando a mistura pulou para fora do frasco. Como resultado, um pouco do pó ficou nos meus dedos. Um pouco mais tarde, ao lamber meu dedo para pegar uma folha de papel, percebi um sabor doce muito forte. Inicialmente pensei que pudesse haver um pouco de açúcar em minhas mãos do começo do dia; entretanto, eu logo percebi que isso não podia ser verdade, pois eu havia lavado minhas mãos neste meio-tempo. Assim, remontei a origem do pó em minhas mãos até o recipiente no qual havia colocado o aspartilfenilalanina metil éster cristalizado. Achei que este és...